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Pará 2010 sem coligações

Após as águas de março, a cachoeira de abril foi um empecilho a mais na difícil negociação no seio da Comissão Especial para a Reforma Política na Câmara dos Deputados. Mas a principal pedra no caminho continua a falta de maioria dos integrantes da CEREFPOL para a votação do relatório preparado por Henrique Fontana (PT-RS). Nem a decisão de votar em separado os numerosos destaques conseguiu mobilizar os deputados, que continuam no impasse.

Uma medida, no entanto, parece unir a maioria, tanto na Câmara quanto no Senado. É o fim das coligações para as eleições proporcionais, já em curso na câmara alta, onde uma PEC, aprovada na CCJ, aguarda sua inscrição na pauta.

Os resultados práticos do fim das coligações variam de estado a outro, mas sempre tem por efeito de diminuir o número de partidos representados, tanto nas Assembléias quanto na bancada Federal. No caso do Estado do Pará, se as coligações não tivessem existido em 2010, a representação em Brasília seria a mais afetada.

Bancada Federal: só 4 partidos paraenses na Câmara.

O objetivo de redução de partidos teria sido plenamente comprido sem as coligações. Das 9 agremiações paraenses que mandaram representantes em Brasília pelo resultado de 3 de outubro de 2010, somente 4 teriam atingido o quociente eleitoral se não tivessem a possibilidade de coligar-se com os três partidos-polos: PT, PMDB e PSDB.

A bancada Federal paraense 2010 com e sem coligações > PA 2010 Federal com-sem (apertar a seta “voltar” após leitura)

Sem coligações, além dos 4 atuais, o PMDB também teria eleito Luiz Otávio e Catarino. A bancada do PT também teria aumentado de 2 representantes, com Carlos Martins e Raimundo Marques (4.792 votos, quinquagésimo-primeiro mais votado). O PSDB poderia contar em Brasília, além dos 3 eleitos, com André Dias. Arnaldo Jordy (PPS) teria obtido seu mandato mesmo sem coligações.

5 candidatos não teriam ganho a passagem para Brasília: Zequinha Marinho (PSC) (147.615 votos, sétimo mais votado), Lúcio Vale (PR) (142.116 votos, oitavo), Lira Maia (DEM), Josué Bengtson (PTB) e Giovanni Queiroz (PDT).

Alepa: pouquíssimas mudanças. PMDB maior bancada.

Nada menos que 12 coligações ou partidos isolados disputaram a eleição estadual em 2010. Muitos tiveram que alcançar o quociente eleitoral sozinhos, o que explica as pouquíssimas mudanças que a ausência de coligações teria provocado:

Bancada estadual 2010 com e sem coligações > PA 2010 Estadual com-sem (apertar a seta “voltar” após leitura)

Teria havido uma “troca” PMDB/PT, com a eleição de Ozório Juvenil (28.035 votos) no lugar do Prof. Alfredo Costa (22.762 votos), deixando o PMDB com a maior bancada na Assembléia Legislativa.

A outra mudança teria sido a saída de Alessandro Novelino (23.389 votos), deixando o PMN sem representante, e a entrada do Dr. Haroldo Martins (33.921 votos), dobrando a bancada do DEM.