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Estrutural, um reduto Rorizista

20 de novembro de 2011 Deixe um comentário

Nesta manhã de sábado, 19 de novembro de 2011, o Governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, assinou o decreto de aprovação de regularização da Estrutural. Considerada como a segunda maior comunidade proveniente de invasão (após o Itapoã) do Distrito Federal, a Estrutural (que nasceu nos anos 60 como “invasão do Lixão” antes de ganhar o estatuto de “Vila” e “Cidade”) teve uma história conturbada, muitas vezes ligada ao clima político da cidade. De menos de cem familias, ela passou rapidamente, principalmente nos anos 90, a mais de seis mil, representando entre 25 e 35 mil moradores, segundo estudos de 2004 e 2005.

Do ponto de vista eleitoral, como é o caso em muitas áreas ainda não regularizadas, uma parcela significativa dos moradores não transferiu o título de eleitor do cartório de origem, mesmo ele sendo eventualmente do DF. O TRE-DF cadastrou, nas 27 seções efetivas dos dois locais de votação (fisicamente muito próximos), 8.968 eleitores em 2010. Incluidas na Zona 09 (Guará), as preferências eleitorais dos moradores da Estrutural não aparecem claramente nos resultados publicados pela Justiça Eleitoral, tendo em vista que os moradores do Guará não pertencem à mesma categoria socio-profissional.

Estrutural 2010: Weslian, Fraga, Jaqueline e José Edmar

A mobilidade típica das regiões mais desfavorizadas em infraestrutura está demostrada nos números da abstenção (o não comparecimento do eleitor no dia da votação), que atingiu 18,45 %, contra 15,44 para o conjunto do DF.

Os votos em branco para todos os cargos não diferem da média do DF, mais a percentagem de nulos (5,51%) é sensivelmente superior (3,87%).

Confirmando seu resultado no DF, Marina Silva foi a mais votada para Presidente (38,63%), enquanto José Serra (35,92%) ultrapassou Dilma (24,65%).

Para Governador, Weslian Roriz (60,75%) realizou um de seus melhores resultados no DF, enquanto, por consequência óbvia, Agnelo não atinge 30% (28,46%). Nota-se que dos 549 locais de votação no DF em 2010, somente em 21 o futuro Governador teve resultado inferior a 30%, 2 dos quais sendo os da Estrutural. Toninho do PSOL também amarga um de seus piores resultados, com 5,79 %. Já Eduardo Brandão, provavelmente beneficiado pela votação à candidata do PV à Presidência, obtem um resultado (4,59%) só ligeiramente abaixo de sua média no DF.

Alberto Fraga foi o mais votado para Senador na Estrutural, realizando nos locais de votação seus dois melhores resultados no DF (36,09 e 35,06%). Da mesma forma, Maria de Lourdes Abadia (PSDB), com 31,95% e 30,42%, obtem seus primeiro e quarto melhor resultado do DF. Rodrigo Rollemberg (19,02%) amarga um de seus piores resultados, mas mesmo assim devança Cristovam Buarque. Enquanto Governador, o atual Senador teve uma relação conturbada com a Estrutural e, apesar de terem se passado mais de 10 anos depois de sua saída do Buriti, ele continua sofrendo uma grande rejeição no local. Com 8,55% e 10,23% nos dois colégios, Cristovam realiza, de longe, seus dois piores resultados.

Três dos atuais Deputados Federais foram os preferidos na Estrutural. Jaqueline Roriz, com 12,15%, realizou um bom resultado, mas ainda longe dos 24/26% obtidos por ela em outros locais. No ranking de sua votação pessoal, os dois locais da Estrutural só aparecem nas posições 70 e 110. Já Ronaldo Fonseca (11,50%) fez claramente da Estrutural um de seus redutos, obtendo alí suas segunda e quinta maior votação. Izalci, terceiro mais votado na Estrutural (8,06%), realiza uma votação só ligeiramente superior a sua média no DF. Adelmir Santana, quarto mais votado na Estrutural, dobra seu média, enquanto Ricardo Quirino, quinto, quase triplica seu percentual de votos no DF, indicando uma significativa força da Igreja Universal do Reino de Deus, confirmada na eleição para Distrital. Outro candidato a Federal que se destaca na Estrutural, Virgílio Neto (PSDB), nono mais votado, triplicando sua votação média. Os dois locais figuram na 14a e 15a posição do ranking pessoal do candidato. Reguffe e Paulo Tadeu, os dois campeões de votos da eleição para Federal no DF, aparecem em 7a e 8a posição. Para o PDTista, são os piores locais com mais de 3 mil eleitores, enquanto o PTista teve alí a segunda maior rejeição depois da faixa QI 05/QI 11 do Lago Sul.

José Edmar (PSDB), considerado como o “representante” da Estrutural no início dos anos 90, realiza logicamente sua maior votação no local para Deputado Distrital, alcançando 11,08 %. Ismael da Estrutural e José Maria, candidatos locais, aparecem na 2a e 5a colocação, com grande vantagem ao candidato do PCdoB. Eliana Pedrosa quase triplica sua votação média no DF para ser a 3a mais votada, seguida de Valdelino Barcelos (PRP), o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros no DF. Evandro Garla (PRB), confirma com sua sexta votação a influência da IURD. Lunardi obtem na Estrutural seus melhores resultados fora da região Cruzeiro/Sudoeste. Dirsomar é o único candidato do PT a aparecer nos 10 primeiros, graças a sua forte implantação na vizinha Vicente Pires.

Resultados eleitorais das seções localizadas na Estrutural nas Eleições 2010:

  Estrutural DF
     
Eleitores 8.968 1.833.942
Abstenção 18,45% 15,44%
Brancos 2,26% 2,17%
Nulos  5,51% 3,87%
     
Marina 38,63% 41,96%
Serra 35,92% 24,30%
Dilma 24,65% 31,74%
     
Weslian Roriz 60,75% 31,50%
Agnelo 28,46% 48,41%
Toninho do PSOL 5,79% 14,25%
Eduardo Brandão 4,59% 5,64%
     
Fraga 35,57% 19,76%
Abadia 31,18% 13,48%
Rollemberg 19,02% 28,53%
Cristovam 9,39% 32,19%
     
Jaqueline Roriz 12,15% 7,12%
Ronaldo Fonseca 11,50% 4,83%
Izalci 8,06% 6,96%
Adelmir Santana (DEM) 6,50% 3,25%
Ricardo Quirino (PRB) 6,08% 2,20%
Laerte Bessa (PSC) 5,92% 3,68%
Reguffe 5,39% 18,95%
Paulo Tadeu 5,07% 11,70%
Virgílio Neto (PSDB) 4,36% 1,27%
Luiz Pitiman 4,12% 3,66%
     
José Edmar (PSDB) 11,08% 0,45%
Ismael (PCdoB) 7,69% 0,08%
Eliana Pedrosa 7,10% 2,51%
Valdelino Barcelos (PRP) 5,84% 0,75%
José Maria (PP)  4,41% 0,08%
Evandro Garla  2,19% 1,13%
Lunardi (PSL) 2,15% 0,41%
Paulo Roriz (DEM) 2,04% 1,19%
Benedito Domingos 1,87% 0,67%
Dirsomar (PT) 1,86% 0,85%

 

2010 DF Governador 1o e 2o turno

A eleição para Governador no DF em 2010 foi atípica se considerar a história eleitoral da cidade. Provavelmente em razão dos acontecimentos do fim de 2009 que respingaram sobre a definição das candidaturas, e pela primeira vez, não houve nome que possa representar a “3a via”, ou seja, uma forte opção de centro entre os polos “Roriz” e “PT”.

Toninho do PSOL, que chegou em terceiro lugar no primeiro turno, beneficiou-se desta ausência de opção, e atingiu um resultado na eleição para Governador que não se confirmou em nenhum dos outros cargos para os integrantes de seu partido.

Eduardo Brandão, do PV, quarto candidato a estar presente nos debates na TV, conseguiu um resultado muito inferior ao da Senadora Marina Silva, a candidata à Presidência mais votada no DF.

Agnelo obteve mais de 50% dos votos em 13 das 21 ZEs, com a melhor votação em Brazlândia (56,46%) e a menor em Samambaia (ZE 13 e ZE 21) com 35 %. Ele venceu em 18 das 21 ZEs, perdendo para Weslian Roriz nas ZE 13 e 21 (Samambaia/Recanto das Emas) e na ZE 2 (Paranoá/Itapoã/Varjão/Granja do Torto).

Weslian Roriz teve sua melhor votação nas ZEs 13 (50,51 %) e 21 (51,73 %). Seu pior resultado foi na Asa Norte, com 14,62 %

Toninho do PSOL foi o segundo colocado (atrás de Agnelo) em três ZEs: Asa Norte, Asa Sul e Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal. A Asa Norte, com 24,65 %, lhe deu o melhor resultado enquanto Brazlândia (8,68 %) foi sua pior votação.

Eduardo Brandão obteve na Asa Sul 9,58 %, sua melhor marca, contra 4,07 % em Brazlândia, sua mais fraca votação.

Resultados do primeiro turno por Zona Eleitoral : 2010 Gov 1o turno

O segundo turno seguiu o quadro político esperado. Agnelo venceu em 19 das 21 ZEs, com exceção das 13 e 21 (Samambaia e Recanto das Emas), obtendo na ZE 11 (Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal) seu melhor resultado com 80,15 %.

Weslian Roriz obteve um acréscimo de meros 9 mil votos entre os dois turnos, perdendo até na ZE 02 do Paranoá.

Resultado do segundo turno por Zona Eleitoral : 2010 Gov 2o turno

Agnelo atraiu a quase totalidade dos votos obtidos por Toninho e Eduardo Brandão no primeiro turno. Neste gráfico a seguir, aparece claramente que, a não ser nas regiões principais de votação dos dois candidatos eliminados (Plano Piloto e Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal), o ganho de votos de Agnelo no segundo turno é quase 100% da soma dos sufrágios Toninho+Brandão : 2010 Gov Dif votação Agnelo 1o-2o turno

Weslian Roriz, por outro lado, não conseguiu atrair os eleitores de Toninho e de Eduardo Brandão de forma significativa, e até mesmo chegou a perder votos quantitativos entre os dois turnos (- 2.600 votos em Samambaia/Recanto das Emas). O gráfico retraçando sua diferença de percentagem de votos nos dois turnos demostra claramente que seu ganho geral foi mínimo: 2010 Gov Dif votação Weslian 1o-2o turno

A abstenção, ou não-comparecimento do eleitor, foi tratado com cautela na campanha para o segundo turno. Apontada como uma das principais causas da derrota de Cristovam em 1998, a ausência dos eleitores particularmente do Plano Piloto, dos Lagos e do Cruzeiro podia influenciar nestes tradicionais bastiões da esquerda. O gráfico a seguir mostra que, se de fato a abstenção aumentou de quase 4% entre os dois turnos, estes aumento foi linear, ressentido em todas as ZEs. É provavelmente neste fato que Weslian perdeu seus quase 3 mil votos em Samambaia: 2010 Gov Abst 1-2o turno

A evolução 1o/2o turno dos votos brancos segue a curva de votação de Toninho e de Eduardo Brandão no primeiro turno. Houve aumento destes votos em relação a 3 de outubro justamente nas três regiões onde os dois candidatos tiveram a melhor votação: 2010 Gov Bcos 1o-2o turno

A variação observada nos votos brancos está não só repetida, mas aumentada com o comparativo dos votos nulos. Desta vez, em todas as regiões, houve mais votos nulos no 2o turno de que no 1o. E mais uma vez, destaque para as regiões onde Toninho e Eduardo Brandão juntos obtiveram cerca de 30% dos votos: 2010 Gov Nulos 1o-2o turno

Em resumo, a ausência de candidatura de “3a via”, tradicionalmente mercedora de cerca de 20% dos votos do DF, bem como os percalços da candidatura “Roriz”, fizeram da eleição para Governador 2010 um desenho das forças políticas truncado. Será preciso estudar os resultados obtidos para outros cargos para ter uma idéia mais precisa das forças naquele pleito.