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Mato Grosso 2010 sem coligações

Março de 2012 já chegou ao fim, e a Comissão Especial da Reforma Política na Câmara dos Deputados tenta driblar o sério inconveniente de ter suas sessões nas quartas-feiras à tarde para conseguir votar a última versão do relatório preparado pelo Deputado Henrique Fontana (PT-RS). Várias vezes atropelada por sessões importantes no Plenário, a votação deve no entanto ocorrer logo, e será seguida pela discussões dos numerosos destaques acertados com o relator. Foi a forma encontrada para tentar avançar num tema complicado, e sobretudo onde pouquíssimos pontos consensuais foram identificados.

Uma medida, no entanto, parece unir a maioria, tanto na Câmara quanto no Senado. É o fim das coligações para as eleições proporcionais, já em curso na câmara alta, onde uma PEC, aprovada na CCJ, aguarda sua inscrição na pauta.

Os efeitos do fim das coligações variam de estado a outro, mas sempre tem por efeito de diminuir o número de partidos representados, tanto nas Assembléias quanto na bancada Federal. No Mato Grosso, se a regra já estivesse em vigor em 2010, os resultados teriam sido estes.

Bancada Federal : PR cresce, PT recupera a vaga, 3 partidos saem

O Governador, reeleito em primeiro turno com 51,21 %, Silval Barbosa (PMDB), teria gostado até mais da bancada Federal sem coligações, apesar de não poder conter com o único eleito do PMDB, Carlos Bezerra, que seria substituido por Saguas (PT). Teriam sido 6 deputados integrantes da coligação Mato Grosso em Primeiro Lugar, ou seja 1 a mais que no escrutino de outubro de 2010.

Para a comparação com/sem coligações, usou-se o resultado definitivo publicado pelo TRE-MT em 16 de junho de 2011, contando com os 81.454 votos de Pedro Henry Neto (PP), que tinha o registro indeferido em 03 de outubro de 2010.

Composição da bancada Federal do Mato Grosso 2010 > MT 2010 Federal com-sem (apertar a seta voltar após leitura)

Os excelentes resultados do PR de Wellington Fagundes e Homero Pereira (os dois mais votados) teriam levado também em Brasília Joana (58a votada, 942 votos). Incorporariam a representação Federal Thelma de Oliveira (PSDB) e Saguas (PT).

Em compensação, teriam ficado em Cuiabá Valtenir (PSB), terceiro mais votado (101.907 votos), Carlos Bezerra (PMDB), quarto mais votado (90.780 votos) e Júlio Campos (DEM).

Sem a “claúsula de barreira” da média mínima de 1 para participar da distribuição das sobras, o resultado, ainda que sem coligações, teria sido muito parecido com o real de 2010, com uma única alteração: o eleito do DEM deixaria a vaga para o do PT. Esta modificação para a definição das vagas está prevista no relatório Fontana.

Assembléia Legislativa: PR e PP empatados, 4 partidos saem.

O objetivo principal do fim das coligações nas eleições proporcionais, a diminuição do número de partidos, seria atingido nas bancadas da AL. A eleição 2010 foi até um exemplo da força da união: PDT/PPS/PSB/PV, coligados, elegeram 3 deputados. Sozinhos, não teriam nenhum. Mesma constatação para os seis partidos que, juntos, elegeram um candidato do PTB. Separados, não haveria quociente eleitoral. O PP seria o mais favorecido, sua bancada passando de 5 a 7 deputados, igualando assim o PR, que também ganharia um eleito.

Composição da Assembléia Legislativa > MT 2010 Estadual com-sem (apertar a seta voltar após leitura)

Nininho (PR), Luizinho Magalhães (PP), Deucimar (PP), Alexandre Cesar (PT) e Avallone (PSDB) (15.322 votos) teriam sido eleito.

Teté Bezerra (PMDB), Zeca Viana (PDT), Luiz Marinho (PTB), Percival Muniz (PPS) (26.178 votos) e Luciane Bezerra (PSB) não teriam assento na AL.

Com a proposta de Henrique Fontana (PT-RS) de distribuir as sobras entre todas as agremiações, e não mais somente às que tiveram pelo menos um eleito, a fisionomia da AL seria muito parecida com a atual, mesmo sem coligações. Uma diferença importante, no entanto: o PMDB só teria 3 eleitos, perdendo duas vagas: uma para o PP, a outra para o PT. Todos os atuais partidos seriam representados.