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Agnelo 2010/2014: de um extremo ao outro.

14 de setembro de 2015 Deixe um comentário

Deputado Distrital, Deputado Federal, candidato ao Senado, sempre pelo PCdoB, até migrar para o PT e por ele disputar duas eleições para Governador, Agnelo Queiroz ficará na história eleitoral do Partido dos Trabalhadores no DF por ocupar, no ranking das votações… as duas pontas !

 

Ano Candidato

Governador

Coligação % votos válidos

1º turno

2010 Agnelo Queiroz (**) 11 partidos 48,41 %
1998 Cristovam Buarque (*) 8 partidos 42,67 %
1994 Cristovam Buarque (**) 5 partidos 37,19 %
2002 Geraldo Magela (*) 4 partidos 40,87 %
2006 Arlete Sampaio 6 partidos 20,93 %
1990 Carlos Saraiva e Saraiva Sem 20,27 %
2014 Agnelo Queiroz 16 partidos 20,07 %

(*) qualificado para o segundo turno (**) eleito no segundo turno

 

A megacoligação que não colou.

 

O então Governador Agnelo Queiroz – PT conseguiu, para a eleição 2014 e visando sua reeleição (em companhia do Vice-Governador Tadeu Filippelli – PMDB), formar a maior coligação de partidos da história do DF: nada menos que 16 legendas ! No entanto, em 5 de outubro, Agnelo amargou nas urnas uma decepcionante terceira colocação, e ficando de fora do segundo turno, fato inédito no DF (na eleição 2006, Maria de Lourdes Abadia – PSDB, Governadora em exercício após a desincompatibilização de Joaquim Roriz, também foi derrotada no primeiro turno, quando José Roberto Arruda se elegeu. Mas obteve a segunda maior votação nas urnas).

 

Em 2010, no ano da grande convulsão política do DF, Agnelo tinha conseguido o que era então a maior coligação formal de apoio a um candidato ao Governo. O PT que, historicamente, tinha reservas à coligações amplas, conseguiu grande projeção para seu candidato. Se em 2006 Arlete tinha sido maior que sua coligação (medida em votos recolhidos pelos candidatos a Distrital), em 2010 Agnelo, trilhando um Novo Caminho, conseguia o melhor resultado percentual de um candidato do PT ao Buriti, e sua coligação reunia a maioria absoluta dos votos.

 

Em 2014, numa megacoligação de 16 partidos (uma das maiores do Brasil para uma eleição majoritária), o voto “Agnelo” descolou da soma dos candidatos a Distrital, termômetro mais justo da penetração partidária, e seu “time” alcançou quase o triplo da votação do candidato à reeleição:

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Arlete/Agnelo/Agnelo: candidato ao Governo pelo PT (Arlete em 2006, Agnelo em 2010 e 2014)

Coligação: votação cumulada para Distrital (nominais e de legenda) da Coligação Arlete 2006 (PT-PV-PCdoB-PSB-PRTB-PRB); da Coligação Agnelo 2010 (PRB-PDT-PT-PTB-PMDB-PPS-PHS-PTC-PSB-PRP-PCdoB); da Coligação Agnelo 2014 (PT-PMDB-PRB-PCdoB-PRP-PPL-PV-PP-PTN-PTdoB-PSC-PROS-PTC-PSL-PHS-PEN)

PT: votação cumulada para Distrital (nominais e de legenda) dos candidatos do PT.

 

Agnelo e PT: casamento aberto.

Os resultados das eleições 2014 mostraram um deslocamento do eleitorado PTista, além de um recuo na votação dos candidatos a Distrital (nominais + legenda). Os tradicionais bastiões (Lagos, Cruzeiro, certas áreas do Plano Piloto) foram investidos por outras forças políticas, e os três “picos” de votação, por zona eleitoral, podem surpreender: Planaltina (13,65 %), Samambaia ZE 13 (12,98 %) e Taguatinga Norte/Vicente Pires (12,64 %). É a força de três lideranças locais, respetivamente Claudio Abrantes (2º mais votado na ZE 06), Risomar (mais votado na ZE 13) e Dirsomar (mais votado na ZE 19).

Já os picos de Agnelo foram no Gama ZE 17 (25,16 %), Sobradinho (24,20 %) e Ceilândia ZE 20 (24,14 %), apesar de sua votação máxima ter sido no Núcleo Rural Pipiripau, na zona rural de Planaltina, com 41,17 % dos votos.

Influenciaram provavelmente o bom resultado de Agnelo, na ZE 17, os também bons resultados de Dilma Presidente (2ª atrás de Marina) e do Federal Policarpo (3º mais votado). O Pastor Egmar, mais votado para Distrital, fazia parte da coligação Agnelo.

Em Sobradinho, Agnelo consegue uma vitória na Vila Basevi (Dilma também), Magela Senador bate Reguffe no Córrego do Arrozal, Érika Kokay Federal realiza bom resultado, com as lideranças de Dr Michel (PP) e de Ricardo Vale (PT).

Na ZE 20 de Ceilândia, destaques para Ronaldo Fonseca Federal (2º mais votado), e os Distritais Chico Vigilante (4º) e Julio Cesar (5º).

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Agnelo 2010 x 2014. Queda generalizada

O último gráfico, com as votações de Agnelo Governador por zona eleitoral em 2010 e 2014, mostra a completa mudança de eleitorado do então Governador. Os picos são diferentes (com exceção da ZE 17 do Gama e da ZE 20 de Ceilândia), alguns “buracos” foram preenchidos mas outros se formaram. As mudanças de orientação, particularmente no Plano Piloto (Cruzeiro incluso) são claras:

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DF 2014: Rodrigo Rollemberg eleito 17o Governador do DF

rodrigorollemberg

A eleição 2014 para Governador no DF termina com a eleição do atual Senador Rodrigo Rollemberg (PSB) em segundo turno. Socialista histórico (fundador do partido), Rollemberg traz o PSB pela primeira vez ao Palácio do Buriti, a frente de uma das menores coligações da história dos governadores eleitos, reunido quatro partidos (PSB/PDT/PSD e SD).

Dos seis candidatos presentes ao primeiro turno, foram eliminados Perci Marrara (PCO), com registro de candidatura indeferido no TSE, recolhendo 2.432 votos contabilizados como nulos; Toninho do PSOL, Pitiman (PSDB) e o candidato à reeleição Agnelo Queiroz (PT). Confira o resultado dos 5 candidatos com registro deferido no 1o turno > 2014 DF Governador Resultado 1º turno

Neste primeiro turno, Rollemberg venceu em 20 das 21 Zonas Eleitorais > 2014 DF Gov 1o turno

No segundo turno da eleição, Rodrigo Rollemberg venceu com 812.036 votos (em 2010, Agnelo tinha recolhido 875.612 sufrágios). Confira o resultado do segundo turno > 2014 DF Governador 2º turno por ZE

Neste segundo turno, Rollemberg venceu em 12 das 21 Zonas Eleitorais > 2014 DF Gov 2o turno

 

DF 2014: Governador por Zona Eleitoral

Das 21 Zonas Eleitorais, Rodrigo Rollemberg ficou em primeiro lugar em 20.

Jofran Frejat foi o mais votado em 1, segundo mais votado em 17, terceiro em 3.

Agnelo Queiroz foi o segundo mais votado em 3, terceiro em 18.

Tabela >2014 Governador por zona tabela (apertar a seta voltar após leitura)

Gráfico > 2014 Governador por zona gráfico (apertar a seta voltar após leitura)

 

Eleições 2014 no DF. Histórico eleitoral dos candidatos ao GDF

Histórico eleitoral dos candidatos ao Governo do Distrito Federal na eleição 2014:

 

Agnelo (PT) – 13:

 

1990: eleito Deputado Distrital pelo PCdoB com 4.387 votos (0,64 % dos votos válidos), 13º mais votado, 5º da coligação (atrás de Carlos Alberto, Abadia, Jonas Vettoraci e Benício Tavares).

 

1994: eleito Deputado Federal pelo PCdoB com 23.979 votos (3,84 % dos votos válidos), 7º mais votado, 3º na coligação (atrás de Chico Vigilante e Augusto Carvalho).

 

1998: eleito Deputado Federal pelo PCdoB com 65.752 votos (6,58 % dos votos válidos), 5º mais votado, 1º na coligação.

 

2002: eleito Deputado Federal pelo PCdoB com 95.879 votos (7,85 % dos votos válidos), 4º mais votado, 2º na coligação após Maninha.

 

2006: não eleito para Senador pelo PCdoB com 544.313 votos (42,93 % dos votos válidos). A única vaga ficou com Roriz.

 

2010: eleito Governador pelo PT com 676.394 votos no 1º turno (48,41 % dos votos válidos) e 875.612 votos no 2º turno (66,10 % dos votos válidos).

 

2014: Candidato à reeleição pelo PT.

 

 

Jofran Frejat (PR) – 22:

1990: eleito Deputado Federal pelo PFL com 22.785 votos (4,15 % dos votos válidos). 6º colocado na geral, 4o na coligação atrás de Paulo Octávio, Osório Adriano e Benedito Domingos.

 

1994: eleito Deputado Federal pelo PP com 35.897 votos (5,75 % dos votos válidos). 7º colocado na geral, 4o na coligação atrás de Vigão, Osório Adriano e Benedito Domingos.

 

1998: eleito Deputado Federal pelo PPB com 80.389 votos (8,05 % dos votos válidos), 3º colocado na geral e na coligação atrás de Vigão e Tadeu Filippelli.

 

2002: 3o colocado na eleição para o Senado (não eleito) pelo PPB com 433.650 votos (19,12 % dos votos válidos) atrás de Cristovam (PT) e Paulo Octavio (PFL), eleitos.

 

2006: eleito Deputado Federal pelo PTB com 69.450 votos (5,27 % dos votos válidos), 5º colocado na geral, segunda na coligação atrás de Tadeu Filippelli.

 

2010: Candidato a Vice pelo PR, com Weslian Roriz (PSC) candidata a Governadora. Obtiveram 440.128 votos (31,50 % dos votos válidos) no primeiro turno, e 449.110 (33,90 %) no segundo turno, perdendo a eleição para Agnelo (PT), eleito Governador, e Tadeu Filippelli (PMDB), eleito Vice.

 

 

Pitiman (PSDB) – 45:

 

2010: Eleito Deputado Federal pelo PMDB com 51.491 votos (3,66 % dos votos válidos), mais votado da coligação.

 

 

Perci Marrara (PCO) – 29:

 

2006: Candidata a Deputada Distrital pelo PCO com 180 votos.

 

2010: Candidata a Deputado Federal pelo PCO, com registro indeferido. Obteve 505 votos.

 

 

Rollemberg (PSB) – 40:

 

1990: Suplente de Deputado Distrital pelo PSB com 2.031 votos (0,30 % dos votos válidos) , 59º mais votado, 16º da coligação

 

1994: Suplente de Deputado Distrital pelo PSB com 4.557 votos (0,67 % dos votos válídos), 39º mais votado, 8º da coligação atrás de Pedro Celso, Magela, Maninha, Lucia Carvalho, Wasny, Claudio Monteiro e Cafu.

 

1998: Eleito Deputado Distrital pelo PSB com 15.942 votos (1,59 % dos votos válidos), 5º mais votado, 1º da coligação.

 

2002: 4º colocado no 1º turno para Governador com 82.369 votos (6,79 % dos votos válidos), atrás de Roriz, Magela e Benedito Domingos.

 

2006: Eleito Deputado Federal pelo PSB com 55.917 votos (4,25 % dos votos válidos), 9º mais votado, 2º da coligação atrás de Magela .

 

2010: Eleito Senador pelo PSB com 738.575 votos (33,03 % dos votos válidos). Havia duas vagas para Senador, o outro eleito, mais votado, foi Cristovam Buarque com 833.480 votos.

 

 

Toninho do PSOL – 50:

 

2006: 4º colocado no 1º turno para Governador pelo PSOL com 55.898 votos (4,24 % dos votos válidos), atrás de Arruda, Abadia e Arlete.

 

2010: 3º colocado no 1º turno para Governador pelo PSOL com 199.095 votos (14,25 % dos votos válidos), atrás de Agnelo e Weslian Roriz.

2010 DF Governador 1o e 2o turno

A eleição para Governador no DF em 2010 foi atípica se considerar a história eleitoral da cidade. Provavelmente em razão dos acontecimentos do fim de 2009 que respingaram sobre a definição das candidaturas, e pela primeira vez, não houve nome que possa representar a “3a via”, ou seja, uma forte opção de centro entre os polos “Roriz” e “PT”.

Toninho do PSOL, que chegou em terceiro lugar no primeiro turno, beneficiou-se desta ausência de opção, e atingiu um resultado na eleição para Governador que não se confirmou em nenhum dos outros cargos para os integrantes de seu partido.

Eduardo Brandão, do PV, quarto candidato a estar presente nos debates na TV, conseguiu um resultado muito inferior ao da Senadora Marina Silva, a candidata à Presidência mais votada no DF.

Agnelo obteve mais de 50% dos votos em 13 das 21 ZEs, com a melhor votação em Brazlândia (56,46%) e a menor em Samambaia (ZE 13 e ZE 21) com 35 %. Ele venceu em 18 das 21 ZEs, perdendo para Weslian Roriz nas ZE 13 e 21 (Samambaia/Recanto das Emas) e na ZE 2 (Paranoá/Itapoã/Varjão/Granja do Torto).

Weslian Roriz teve sua melhor votação nas ZEs 13 (50,51 %) e 21 (51,73 %). Seu pior resultado foi na Asa Norte, com 14,62 %

Toninho do PSOL foi o segundo colocado (atrás de Agnelo) em três ZEs: Asa Norte, Asa Sul e Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal. A Asa Norte, com 24,65 %, lhe deu o melhor resultado enquanto Brazlândia (8,68 %) foi sua pior votação.

Eduardo Brandão obteve na Asa Sul 9,58 %, sua melhor marca, contra 4,07 % em Brazlândia, sua mais fraca votação.

Resultados do primeiro turno por Zona Eleitoral : 2010 Gov 1o turno

O segundo turno seguiu o quadro político esperado. Agnelo venceu em 19 das 21 ZEs, com exceção das 13 e 21 (Samambaia e Recanto das Emas), obtendo na ZE 11 (Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal) seu melhor resultado com 80,15 %.

Weslian Roriz obteve um acréscimo de meros 9 mil votos entre os dois turnos, perdendo até na ZE 02 do Paranoá.

Resultado do segundo turno por Zona Eleitoral : 2010 Gov 2o turno

Agnelo atraiu a quase totalidade dos votos obtidos por Toninho e Eduardo Brandão no primeiro turno. Neste gráfico a seguir, aparece claramente que, a não ser nas regiões principais de votação dos dois candidatos eliminados (Plano Piloto e Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal), o ganho de votos de Agnelo no segundo turno é quase 100% da soma dos sufrágios Toninho+Brandão : 2010 Gov Dif votação Agnelo 1o-2o turno

Weslian Roriz, por outro lado, não conseguiu atrair os eleitores de Toninho e de Eduardo Brandão de forma significativa, e até mesmo chegou a perder votos quantitativos entre os dois turnos (- 2.600 votos em Samambaia/Recanto das Emas). O gráfico retraçando sua diferença de percentagem de votos nos dois turnos demostra claramente que seu ganho geral foi mínimo: 2010 Gov Dif votação Weslian 1o-2o turno

A abstenção, ou não-comparecimento do eleitor, foi tratado com cautela na campanha para o segundo turno. Apontada como uma das principais causas da derrota de Cristovam em 1998, a ausência dos eleitores particularmente do Plano Piloto, dos Lagos e do Cruzeiro podia influenciar nestes tradicionais bastiões da esquerda. O gráfico a seguir mostra que, se de fato a abstenção aumentou de quase 4% entre os dois turnos, estes aumento foi linear, ressentido em todas as ZEs. É provavelmente neste fato que Weslian perdeu seus quase 3 mil votos em Samambaia: 2010 Gov Abst 1-2o turno

A evolução 1o/2o turno dos votos brancos segue a curva de votação de Toninho e de Eduardo Brandão no primeiro turno. Houve aumento destes votos em relação a 3 de outubro justamente nas três regiões onde os dois candidatos tiveram a melhor votação: 2010 Gov Bcos 1o-2o turno

A variação observada nos votos brancos está não só repetida, mas aumentada com o comparativo dos votos nulos. Desta vez, em todas as regiões, houve mais votos nulos no 2o turno de que no 1o. E mais uma vez, destaque para as regiões onde Toninho e Eduardo Brandão juntos obtiveram cerca de 30% dos votos: 2010 Gov Nulos 1o-2o turno

Em resumo, a ausência de candidatura de “3a via”, tradicionalmente mercedora de cerca de 20% dos votos do DF, bem como os percalços da candidatura “Roriz”, fizeram da eleição para Governador 2010 um desenho das forças políticas truncado. Será preciso estudar os resultados obtidos para outros cargos para ter uma idéia mais precisa das forças naquele pleito.